
Neste domingo tive um
insight... Poderia aproveitar o tempo livre para escrever. Como não tenho mínima idéia sobre o que escreverei, parto do princípio que seja ficção. Sabendo-me infinitamente ignorante, estive a cata de algumas orientações para "cometer" meu LI-VRO, a saber:
Passo 1 – Definir exatamente a história do livro. Nada de começar a escrever para ver “que bicho vai dar”. Que história quero contar? Quem são meus personagens? O que aconteceu com eles?
Passo 2 – Fazer um resumo da história toda. Como é que começa, o que acontece durante e o que acontece no final. Sim, preciso saber o que acontece no final. Se não souber isto, não terei um livro, minha história estará capenga. A surpresa é só para o leitor, não para mim.
Passo 3 – Baseada em meu resumo, reescreverei a história, colocando agora mais detalhes. Nomes, lugares, acontecimentos, descrições. Agora, certamente, terei uma idéia melhor sobre o rumo da história.
Passo 4 – Ler com atenção o resumo anterior. O que está faltando? O que o meu personagem precisa fazer mais? É necessário incluir mais personagens? Lugares? Acontecimentos? Refazer o resumo...
Passo 5 – Se, e quando, o resumo der uma boa idéia dos acontecimentos, personagens e locais, é hora de começar a escrever. Ah, sim… você pensou que eu já estava escrevendo… não. Agora é que a onça vai beber água. O resumo não é para o leitor e sim para mim. Mas não vou atirá-lo no lixo próximo. Ele será útil mais tarde, para vender meu livro. Desejo vender o livro, pois não?
Passo 6 – Muito bem, hora de escrever pra valer. Em primeiro lugar, nada de começar com: “era um vez..”, ou “nos idos de…”. Nada mais amador e chato que isso. Vou direto ao assunto. Por exemplo: “José consultou seu relógio, olhou em volta mais uma vez e dirigiu-se rapidamente para a porta de saída.”. Frases deste tipo devem prender a atenção do leitor. Ele vai querer saber onde José estava, porque saiu rápido. E – é claro – quem é José.
Passo 7 – Antes de começar, devo definir quem está contando a história. No exemplo da introdução acima, alguém está contando a história de outra pessoa. A história é contada na terceira pessoa. Neste caso, quem conta a história é quem sabe tudo. O que aconteceu, o que está acontecendo e o que vai acontecer. Outra maneira, é colocar-me no lugar do personagem e contar a história na primeira pessoa. No caso, esta introdução ficaria mais ou menos assim: “Consultei o relógio, olhei mais uma vez em volta e caminhei rapidamente em direção à porta de saída.”. Via de regra esta última maneira de escrever o livro é mais fácil. Entretanto, o personagem não sabe tudo, ele vai vivendo a história.
Como escrever “cenas” em um livroUm livro geralmente é dividido em capítulos. Mas não é escrito assim. Não é usual – principalmente em livros de ficção – definir primeiro os capítulos e depois escrever. A história simplesmente vai se desenvolvendo. Depois, são definidos os capítulos, conforme os acontecimentos, épocas, etc.
As cenas são como elos de uma corrente. Elas são resposáveis pela importante tarefa de prender a atenção do leitor. Se contar a história de uma só tacada, há boas chances de que se torne monótona.
Se você ler um livro de ficção de um autor americano, prestando muita atenção, poderá perceber que o livro todo é composto de cenas. Terminou uma, começa a outra. É desta maneira que o escritor faz com que você simplesmente sinta vontade de “devorar” o livro.
Portanto, antes de aprender “como escrever um livro”, devo aprender como escrever cenas. Uma cena é composta basicamente de duas partes. Cena e sequela, que são divididas da seguinte maneira:
Cena
Objetivo
Conflito
Desastre
Sequela
Reação
Dilema
Decisão
Tomaria muito tempo e espaço explicar detalhadamente esta maçaroca toda. Mas creio que é possível ter uma idéia geral somente com os nomes dos componentes da cena:
Objetivo – o que vai acontecer na cena
Conflito – o desenrolar da cena
Desastre – o final da cena (chamado de desastre porque o herói sempre se dá mal, vencendo – é claro – só no final)
Reação - o que acontece ao personagem depois do desastre
Dilema – onde o personagem fica em dúvida sobre o que fazer
Decisão – quando o personagem se recompõe e parte novamente para a ação
Repare nos filmes de ficção, ação, policiais. Não é bem assim? O círculo cena-sequela se repete indefinidamente, até que, no final, dá-se a vitória ao personagem. Ou não. Poderei matar o pobre e deixar meus leitores “um pouco” decepcionados. Partindo para outra banda, poderia facinho escrever coisas mais monótonas e "francesas" ou, ainda, ácidas e com toques de humor negro. Isto muito me agrada. Ah, o adorável Machado... Retornando ao mundo dos pobres mortais, vou apresentar uma ferramenta interessante.
Software para escrever livrosDescobri um software chamado yWriter. É grátis e ajuda bastante a organizar um livro. O programa divide o livro em capítulos e cenas, com recursos para armazenar dados de personagens, locais, etc.
É muito mais simples escrever um livro usando este software. Porque a certa altura, certamente precisarei consultar um dado anterior e, se estiver tudo num processador como o word, dá-se um embananamento. Siga o link
yWriter e confira. Também é em inglês, mas tem até tradução para português.
Este programa contraria um pouco o que eu disse no princípio, porque divide o livro em capítulos antes que seja escrito. Entretanto, não precisa levar tudo a ferro e fogo. Como o programa permite mover cenas e consultar rapidamente o que se escreveu anteriormente, não vejo problema algum. Basta usar com discernimento e lógica.
Além do mais, como já disse, o yWriter é grátis. Mas o autor aceita doações. Nada mais interessante...
Por fim, para escrever de forma razoável a língua portuguesa deve ser reverenciada e, obviamnte, a imaginação/criatividade deve passar longe do lugar comum. No mais, começaria por uma crônica ou conto. Porque um romance de 400 páginas não é para amadores, imbecis e iniciantes como eu!!
Planos: Começar numa segunda qualquer, com o regime. Ui!!